Eu não sei responder a essa pergunta. A cada momento que oscilo entre estados de consciência, me parece que amo mais.
Sua consciência ama mais que seu inconsciente?
Agora, depois de um dia longo de trabalho e alguns litros de cerveja sem ter jantado, ao chegar em casa, não havia nenhum instinto que falasse mais alto que a fome. Exceto o amor. Abri um saco com algo comestível e comecei a mastigar.
O Álcool desperta seus instintos ou seu racional? Será que o amor é meu instinto? O o álcool ativa a sua racionalidade?
Espero estar melhor depois de recuperar minha consciência normal. Falo do amor, e não da fome.
Vivo minha vida empenhado, tomando cuidado e a passo largo. Tenho que progredir rápido, tenho que ser eficiente. Eu tenho capacidade, e sinto prazer em fazê-lo. Sinto prazer programando, é um dos maiores prazeres que já senti. Trabalho concentrado, em transe. Estudo muito antes de cada passo, e sei que estou indo bem.
Um dia algo altera minha consciência a ponto de eu saber que, embora esteja indo muito bem, e rápido, estou fazendo isso pelo futuro. Preparo um berço com cuidado para os meus filhos, tanto um berço material quanto um cultural, honorífico e ético. Então, pensando com essa consciência alterada, eu noto: Eu o faço pelo futuro. Mas que futuro? De que mãe serão essas crianças? Com quem compartilharei o futuro que conquistei com o suor, a fome e o cuidado do meu próprio sangue?
Eu não sei.
Talvez o meu sub-consciente esteja apaixonado, e tenha me convencido a fazer tudo sem pensar, apenas para que esse futuro esteja garantido. Para quem?
Para quê?
Cartas e afeto
Depois disso tudo, duvido da validade disso tudo. Quase tenho certeza de que os melhores sentimentos que isso tudo pode me trazer, já senti.
Porque nunca mais obtive resposta.
Tanto carinho, cuidado, palavras bonitas, sentimento, amor.
Sequer uma amizade por isso.
Eu queria ter lágrimas agora.
Não imagino que pudesse ter sido pior.
Conhecer teu cheiro, tua beleza, teus cachos, teu beijo. Fazer-te chorar.
Em vão, apenas para popular e lentamente desvanecer em minha memória.
Amo-te como se não houvesse nada que eu devesse fazer sobre isso. Como se para todas as mulheres que aparecessem em minha vida desde então eu tivesse que dizer: "Desculpe, eu não te amo."
Como se devêssemos nos casar aos 60 anos.
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